sábado, 19 de junho de 2010

Peça "In the Bathroom!"

É um trabalho que tenho muito orgulho de ter feito parte! No final de 2008. Meu retorno ao teatro depois de muito tempo afastado. Conheci pessoas legais. Aprendi uma nova linguagem no processo. Pois o diretor usou as técnicas de Antoni Artaud, apesar da peça ser uma comédia... Foi possível esse feito! O personagem era muito interessante, exigiu muito de mim, como ator e como pessoa! O texto é de "Regiana Antonini" a direção foi de Julio Rosemberg.
Na foto meu amigo e parceiro de cena Isay Celestino e com Chandra Valle. Muito obrigado a todos que fizeram parte dessa peça... E a todos os meus amigos que compareceram nas apresentações! 




Sábado pela manhã... Lembranças e teatro!

Acordar cedo no fim de semana é tão bom! Não tão cedo! Pois para muitos 09:00 hs não é cedo! Mas pra quem acorda as 11:00 hs. É cedissimo! É bom ver o sol da manhã! Sentar pra tomar o desjejum próximo da janela onde está batendo sol! E ao mesmo tempo ouvir as marteladas que minha mãe dá em alguma coisa! Minha mãe deve ter sido carpinteiro em outra vida! Pois ela adora consertar tudo! Esse "novo" horário de acordar, me fez lembrar o primeiro curso de teatro que frequentei, foi na escola. Era no sábado. E começava as 09:00 hs. Com isso eu tinha que acordar as 08:00 hs. A frequência era baixa. Só alunos muito interessados compareciam. Eu gostava muito dessas aulas. Foi o alicerce da minha estrutura. O professor era um homem com cerca de 40 anos, negro, magro, de personalidade muito própria, faltasse as aulas ou chegasse atrasado... Tava fora! Não tinha chance! Certa vez ele chegou com um jeito estranho, estava alegre, brincava, sorrindo muito... Eu logo percebi que ele tinha saído na sexta - feira. Parecia estar ainda bêbado, mas segundo ele mesmo... Tinha namorado na noite anterior! Lembro - me de uma menina que morava próximo da escola e ia de pijama pras aulas. Sem se importar. Fazíamos tudo no grupo, o cenário era um painel, formado por várias folhas de jornal coladas com farinha de trigo e água. Assim ficava uma coisa que podíamos dobrar e transportar de uma escola para outra, onde eram as nossas apresentações. A peça se chamava "O operário em construção!" Uma adaptação de um conto de Vinicius de Moraes. Foi uma montagem muito importante. Éramos aplaudidos e contemplados por todos que assistiam, exceto na nossa própria escola, onde infelizmente a galera não era interessada... Os alunos que faziam teatro eram vistos como "estranhos" se homem era "viado!" Mas nas outras, todos gostavam e queriam saber da gente como era participar de tudo aquilo. Essa época foi muito importante pra mim, a primeira vez que tive contato com essa arte, dali tive vontade de conhecer outros grupos. Fazíamos dramas, peças pra levarem o público a reflexão, não buscávamos o riso fácil. Coisa que era e é muito comum atualmente! Fizemos depois "Bailei na curva!" Uma experiência muito enriquecedora, meu primeiro grupo e tive que fazer vários personagens! Pois o grupo era de 15 pessoas e a peça tem mais de 40 personagens!Isso durou 4 anos. Eu na época já fazia outros cursos. O que mais recordo era de nossas brigas, pois eu como novos aprendizados queria mostrar, e levava isso pro grupo da escola e o Mario era tradicional, gostava do teatro feito só com a voz e o corpo, o ator e o público, o ator deveria estar sempre de frente pro público. Eu no auge da adolescência questionava e isso gerava nossas brigas. Porém Mario nem me dava o direito de rebeldia. Gritava, argumentava e eu me calava. Dando continuidade aos ensaios. Quando terminava ele sempre me falava "quando eu te deixo com raiva, você faz ainda melhor o seu trabalho gostei de ver, seu merdinha!" Eu então abria - lhe um sorriso e toda a raiva passava! Os integrantes do grupo cresceram e vieram novos alunos, saí do grupo em 97, era a hora de buscar outro rumo. Mas sempre acompanhando tudo que eles faziam. No ano 2000 o professor Mario diretor do grupo faleceu. Fui informado na sala de aula da escola que eu ainda estudava na época. Não pude ir ao sepultamento, pois eu já trabalhava, mas ele sabia da admiração que eu tinha por ele! Lembrei muito das fotos que ele sempre mostrava, era um álbum desses grandes como de casamento. A peça era teatro infantil e o Mario fazia o bobo da corte! Ele nos mostrava com orgulho!Era bom ouvir aquelas histórias. Um profissional que nunca desistiu de fazer o que gostava. Com o falecimento do Mario o grupo acabou como o estado é da forma que sabemos, nunca mandaram outro professor ou animador cultural como era chamado! Eu já estudava no CEI (hoje CETEP). Estive na escola onde estudei a 1 ano mais ou menos, hoje tudo funciona bem, com a nova direção que eu ajudei a eleger antes de terminar o 2º grau (ensino médio). Conversei com a diretora que era minha professora na época, pedi para trabalhar na escola com essa parte, montar um grupo de teatro. Mas infelizmente não funciona assim. Fui aconselhado a enviar um projeto para um outro lugar e eles é quem decidem em que escola iria trabalhar! Acabei adiando esse projeto! Até hoje gosto de aprender, de ouvir os mais experientes, de tirar o máximo de informações possível! E tentar levar isso pra prática! Agora deixa eu seguir pro meu ensaio de sábado que atualmente é na parte da tarde!